Atualizado em: 08/03/2006
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FEMERJ e AGUIPERJ realizam Seminário de Segurança em Montanha

Objetivo principal é desenvolver um fórum para orientar e conscientizar o montanhista

Na mesa, da esquerda para a direita: Felipe Edney Mendonça Martins (Aguiperj), Bernardo Collares (presidente da Femerj), Gustavo Sampaio (Aguiperj) e Flávio Carneiro (Aguiperj)

Segurança significa afastamento de todo o perigo, certeza, condição do que está seguro, ato ou efeito de segurar, e também confiança, tranqüilidade de espírito por não haver perigo. Com o objetivo de orientar e conscientizar os praticantes do montanhismo, a fim de minimizar os riscos da atividade, a FEMERJ (Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro) e a AGUIPERJ (Associação de Guias, Instrutores e Profissionais de Escalada do Estado do Rio de Janeiro) realizaram, no dia 13 de outubro, o Seminário de Segurança em Montanha. E, no dia 24 de novembro, foi dado o I Módulo, com o tema ‘Riscos Climáticos e Geológicos na Prática do Montanhismo’. “No primeiro encontro, que foi o Seminário, a idéia foi de falar sobre segurança em montanha no geral. A partir daí, os assuntos serão desmembrados e tratados em oficinas específicas, como esta que aconteceu no dia 24. Teremos outros módulos como por exemplo, um sobre os muitos procedimentos no momento de rapelar”, comenta Bernardo Collares, presidente da FEMERJ.

O Seminário aconteceu no auditório do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, localizado na Urca, e teve a sua lotação completa (98 participantes assinaram a lista de presença). A mesa foi composta pelo presidente da FEMERJ e pelos guias da AGUIPERJ, Felipe Edney, Flavio Carneiro e Gustavo Sampaio. Situações e procedimentos básicos de segurança em montanha foram apresentados. Também foram citados alguns fatores e condutas de risco, sendo dois deles, o descaso com fatores ambientais e fisiológicos, e a falta de conhecimento técnico.

“O montanhismo está passando por um processo de evolução muito grande hoje em dia, o número de escaladores está aumentando, o nível individual está crescendo e a especialização de profissionais na área fica cada vez mais necessária. O seminário vem com a proposta de conscientizar e gerar fórum sobre causas desta evolução atual e constante do montanhismo”, avalia Felipe Edney.

A intenção da FEMERJ e da AGUIPERJ é que este Seminário se transforme em um evento nacional. “Queremos levar esta idéia para todo o Brasil. Neste caso, quem passaria a organizar seria a Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada [CBME], e os seminários seriam realizados pelas federações ou associações locais”, explica Bernardo Collares. Um outro objetivo seria a CBME produzir um anuário sobre acidentes em montanha. Isso tudo tendo como base principal o site Segurança em Montanha (www.cbme.org.br). “Acreditamos que com essa movimentação, os montanhistas vão perceber a importância de preencher os formulários sobre os acidentes e também os quase acidentes. Praticamente todo o trabalho apresentado no seminário foi baseado nesse tipo de levantamento. É importante termos as informações do que tem ocorrido para sabermos o que fazer, a fim de que estes acidentes não aconteçam mais”, completa Bernardo.

Ter conhecimento sobre os riscos geológicos e meteorológicos ajuda na prevenção de acidentes. E este foi o tema do I Módulo do Seminário de Segurança em Montanha, que aconteceu no dia 24 de novembro, no auditório da Universidade Veiga de Almeida, na Tijuca. A palestra foi proferida pelo montanhista e doutor do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Antônio Paulo Faria. Mais uma vez, os montanhistas compareceram em peso. Antônio Paulo falou sobre os processos de evolução das montanhas e escarpas, abordando tópicos como por exemplo, desplacamentos (formação de diedros, tetos e fendas frontais, produção de placas e blocos rochosos, evolução e fragilidade das agarras, quedas de placas e blocos) e problemas de ordem meteorológica (avalanches de rocha, cabeça d'água, deslizamentos, etc.). “Sempre foi minha preocupação, como geocientista, mostrar os perigos potenciais que passamos quando vamos para as montanhas. Pesquisei muito sobre vários assuntos pertinentes aos riscos geológicos e meteorológicos e tenho dividido minhas experiências com os montanhistas, através de cursos e palestras durante os últimos 16 anos. Dessa forma, consegui unir duas coisas que gosto muito: geociência e montanhismo. E ensinar isso para pessoas interessadas é sempre um grande prazer”, evidencia Antônio Paulo.

A importância e o sucesso destes eventos podem ser medidos pela forte presença dos montanhistas e também pelas mensagens enviadas para a lista da Federação. “A FEMERJ e a AGUIPERJ, todos e cada um de nós, estamos fazendo a história do montanhismo nacional. Em outros países esse momento já foi vivido. Nós estamos construindo a nossa história. Portanto, temos que fazer isso com consciência e dando o nosso melhor. Todos os que foram, aprenderam e/ou reciclaram suas idéias. Paramos para pensar e discutir o assunto. Isto é um ponto primordial na prevenção de acidentes: trabalhar/preparar o corpo e a mente, para minimizar o risco inerente à prática do nosso esporte tão apaixonante, mas que é sim, um esporte de risco. É o nosso maior bem que está em jogo: nossa vida”, escreveu a montanhista Rosangela Gelly.

Texto publicado originalmente no Blog do Eliseu Frecho

     
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