Objetivo principal é desenvolver
um fórum para orientar e conscientizar o montanhista
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| Na mesa, da esquerda para a direita: Felipe Edney
Mendonça Martins (Aguiperj), Bernardo Collares
(presidente da Femerj), Gustavo Sampaio (Aguiperj) e
Flávio Carneiro (Aguiperj) |
Segurança significa afastamento de
todo o perigo, certeza, condição do que está
seguro, ato ou efeito de segurar, e também confiança,
tranqüilidade de espírito por não haver
perigo. Com o objetivo de orientar e conscientizar os praticantes
do montanhismo, a fim de minimizar os riscos da atividade,
a FEMERJ (Federação de Montanhismo do Estado
do Rio de Janeiro) e a AGUIPERJ (Associação
de Guias, Instrutores e Profissionais de Escalada do Estado
do Rio de Janeiro) realizaram, no dia 13 de outubro, o Seminário
de Segurança em Montanha. E, no dia 24 de novembro,
foi dado o I Módulo, com o tema ‘Riscos Climáticos
e Geológicos na Prática do Montanhismo’.
“No primeiro encontro, que foi o Seminário,
a idéia foi de falar sobre segurança em montanha
no geral. A partir daí, os assuntos serão
desmembrados e tratados em oficinas específicas,
como esta que aconteceu no dia 24. Teremos outros módulos
como por exemplo, um sobre os muitos procedimentos no momento
de rapelar”, comenta Bernardo Collares, presidente
da FEMERJ.
O Seminário aconteceu no auditório do Centro
Brasileiro de Pesquisas Físicas, localizado na Urca,
e teve a sua lotação completa (98 participantes
assinaram a lista de presença). A mesa foi composta
pelo presidente da FEMERJ e pelos guias da AGUIPERJ, Felipe
Edney, Flavio Carneiro e Gustavo Sampaio. Situações
e procedimentos básicos de segurança em montanha
foram apresentados. Também foram citados alguns fatores
e condutas de risco, sendo dois deles, o descaso com fatores
ambientais e fisiológicos, e a falta de conhecimento
técnico.
“O montanhismo está passando por um processo
de evolução muito grande hoje em dia, o número
de escaladores está aumentando, o nível individual
está crescendo e a especialização de
profissionais na área fica cada vez mais necessária.
O seminário vem com a proposta de conscientizar e
gerar fórum sobre causas desta evolução
atual e constante do montanhismo”, avalia Felipe Edney.
A intenção da FEMERJ e da AGUIPERJ é
que este Seminário se transforme em um evento nacional.
“Queremos levar esta idéia para todo o Brasil.
Neste caso, quem passaria a organizar seria a Confederação
Brasileira de Montanhismo e Escalada [CBME], e os seminários
seriam realizados pelas federações ou associações
locais”, explica Bernardo Collares. Um outro objetivo
seria a CBME produzir um anuário sobre acidentes
em montanha. Isso tudo tendo como base principal o site
Segurança em Montanha (www.cbme.org.br).
“Acreditamos que com essa movimentação,
os montanhistas vão perceber a importância
de preencher os formulários sobre os acidentes e
também os quase acidentes. Praticamente todo o trabalho
apresentado no seminário foi baseado nesse tipo de
levantamento. É importante termos as informações
do que tem ocorrido para sabermos o que fazer, a fim de
que estes acidentes não aconteçam mais”,
completa Bernardo.
Ter conhecimento sobre os riscos geológicos e meteorológicos
ajuda na prevenção de acidentes. E este foi
o tema do I Módulo do Seminário de Segurança
em Montanha, que aconteceu no dia 24 de novembro, no auditório
da Universidade Veiga de Almeida, na Tijuca. A palestra
foi proferida pelo montanhista e doutor do Instituto de
Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), Antônio Paulo Faria. Mais uma vez, os montanhistas
compareceram em peso. Antônio Paulo falou sobre os
processos de evolução das montanhas e escarpas,
abordando tópicos como por exemplo, desplacamentos
(formação de diedros, tetos e fendas frontais,
produção de placas e blocos rochosos, evolução
e fragilidade das agarras, quedas de placas e blocos) e
problemas de ordem meteorológica (avalanches de rocha,
cabeça d'água, deslizamentos, etc.). “Sempre
foi minha preocupação, como geocientista,
mostrar os perigos potenciais que passamos quando vamos
para as montanhas. Pesquisei muito sobre vários assuntos
pertinentes aos riscos geológicos e meteorológicos
e tenho dividido minhas experiências com os montanhistas,
através de cursos e palestras durante os últimos
16 anos. Dessa forma, consegui unir duas coisas que gosto
muito: geociência e montanhismo. E ensinar isso para
pessoas interessadas é sempre um grande prazer”,
evidencia Antônio Paulo.
A importância e o sucesso destes eventos podem ser
medidos pela forte presença dos montanhistas e também
pelas mensagens enviadas para a lista da Federação.
“A FEMERJ e a AGUIPERJ, todos e cada um de nós,
estamos fazendo a história do montanhismo nacional.
Em outros países esse momento já foi vivido.
Nós estamos construindo a nossa história.
Portanto, temos que fazer isso com consciência e dando
o nosso melhor. Todos os que foram, aprenderam e/ou reciclaram
suas idéias. Paramos para pensar e discutir o assunto.
Isto é um ponto primordial na prevenção
de acidentes: trabalhar/preparar o corpo e a mente, para
minimizar o risco inerente à prática do nosso
esporte tão apaixonante, mas que é sim, um
esporte de risco. É o nosso maior bem que está
em jogo: nossa vida”, escreveu a montanhista Rosangela
Gelly.
Texto publicado originalmente no Blog
do Eliseu Frecho