Atualizado em: 08/03/2006
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I Seminário de Mínimo Impacto do Montanhismo no PESET

 


Foto: Sérgio Poyares

A Fundação Instituto Estadual de Florestas do Rio de Janeiro (IEF/RJ), através da administração do Parque Estadual da Serra da Tiririca (PESET) e a FEMERJ (Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro), através do Clube Niteroiense de Montanhismo (CNM), realizaram no dia 7 de dezembro de 2008, o I Seminário de Mínimo Impacto do Montanhismo no PESET. Este evento foi uma deliberação do II Encontro Niteroiense de Escalada, que aconteceu no dia 21 de outubro de 2006, quando também foi criado o Código de Ética local. O Seminário originou um documento que está na página da FEMERJ para consulta pública e será anexado ao plano de manejo do parque.

O Seminário foi realizado no Colégio Paulo Freire, localizado no bairro do Engenho do Mato, Niterói. Adriano Lopes, administrador do PESET fez a abertura do evento e passou a palavra à Alba Simon, diretora de Conservação da Natureza do IEF, que estava representando o presidente do órgão, André Ilha. Ela falou que o montanhismo faz parte do uso público dos parques e elogiou o trabalho que é realizado no Parque Estadual dos Três Picos. “O seminário de hoje é fundamental para o Plano de Manejo do PESET”, afirmou Alba.

Adriano comentou a percepção da administração do parque sobre o montanhismo e pediu que seja definida uma forma de comunicação à administração do PESET sobre a conquista de novas vias. Bernardo Collares, presidente da FEMERJ, explicou que em outros parques (por exemplo, Parque Nacional da Serra dos Órgãos e Parque Estadual dos Três Picos), o procedimento para novas conquistas é comunicar o parque e seguir as diretrizes de mínimo impacto. Se surgir alguma dúvida, o assunto é levado para a Federação e para o Conselho Consultivo.

Isso foi reafirmado na palestra de Sergio Poyares, do Núcleo de Montanhismo do Parque Estadual dos Três Picos (PETP) e funcionário do IEF. Poyares apresentou o trabalho realizado pelo órgão no PETP e listou as unidades de conservação estaduais onde as atividades de montanhismo são realizadas. “Por isso a importância deste seminário. Em 2007, realizamos um no Três Picos e o documento entrou no plano de manejo do parque. Isto ajuda a administração dos parques, para garantir as escaladas. É bom para o montanhismo e para o parque”, concluiu Poyares.

“Este diálogo entre os montanhistas e os gestores dos parques é uma iniciativa pioneira. Só agora isto está acontecendo na Espanha, por causa da constatação sobre a degradação das trilhas”, destacou Bernardo.

A palestra seguinte, com o tema “Formação e Evolução das Montanhas do Parque Estadual da Será da Tiririca”, foi apresentada pelo geólogo e montanhista Marcelo Ambrósio, que falou sobre os tipos de solos e sobre os processos erosivos. Através de fotos, foi mostrada a grande erosão que atinge a trilha para o Alto Mourão por Itacoatiara, e que está interditada há mais de dois anos. Na verdade, isto é um caminho de água e não uma trilha.

O escalador Luiz Andrade fez a última palestra do seminário, sobre “O desenvolvimento da escalada no PESET”. Luiz explicou que o aumento do número de escaladas e de escaladores em Niterói gerou o I Encontro Niteroiense de Escalada, realizado em 2006, e o II Encontro, em 2007. Com eles, foi verificada a necessidade de realizar este seminário. Luiz mostrou uma proposta para a setorização das áreas de escalada, que foi votada.

“A concordância em manter interditada a trilha do Alto Mourão por Itacoatiara foi uma importante decisão. No zoneamento das paredes rochosas, houve uma evolução em relação aos outros seminários. Neste ficou decidido que se a parede estiver saturada, mas for visualizada uma linha que não vá provocar um impacto significante, e/ou não vá interferir nas vias já existentes, a proposta será levada ao parque e um Grupo de Trabalho avaliará estes quesitos”, explicou Bernardo Collares.

O documento gerado neste I Seminário de Mínimo Impacto do Montanhismo no PESET ficará na página da FEMERJ para consulta pública por dois meses e será anexado ao Plano de Manejo, que deverá ser licitado neste ano. Também será levado em consideração o levantamento realizado por um grupo que estuda a biodiversidade local.

Todo o trabalho apresentado neste encontro foi resultante de centenas de mensagens eletrônicas trocadas, além de muitas reuniões e visitas locais. Trabalho voluntário por amor ao montanhismo, que pode ser vislumbrado nas palavras de Reinhold Messner, colocadas no folder de apresentação do seminário: “Os dias que os homens passam nas montanhas são os dias em que realmente vivem. Quando as cabeças se limpam das teias de aranhas e o sangue corre com força nas veias. Quando os cinco sentidos recobram a vitalidade e o homem, completo, se torna mais sensível, então já pode ouvir as vozes da natureza e ver as belezas que só estavam ao alcance dos mais ousados”.

Assessoria de Imprensa da FEMERJ

 

     
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