
Foto: Sérgio Poyares
A Fundação Instituto Estadual
de Florestas do Rio de Janeiro (IEF/RJ), através
da administração do Parque Estadual da Serra
da Tiririca (PESET) e a FEMERJ (Federação
de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro), através
do Clube Niteroiense de Montanhismo (CNM), realizaram no
dia 7 de dezembro de 2008, o I Seminário de Mínimo
Impacto do Montanhismo no PESET. Este evento foi uma deliberação
do II Encontro Niteroiense de Escalada, que aconteceu no
dia 21 de outubro de 2006, quando também foi criado
o Código de Ética local. O Seminário
originou um documento que está na página da
FEMERJ para consulta pública e será anexado
ao plano de manejo do parque.
O Seminário foi realizado no Colégio Paulo
Freire, localizado no bairro do Engenho do Mato, Niterói.
Adriano Lopes, administrador do PESET fez a abertura do
evento e passou a palavra à Alba Simon, diretora
de Conservação da Natureza do IEF, que estava
representando o presidente do órgão, André
Ilha. Ela falou que o montanhismo faz parte do uso público
dos parques e elogiou o trabalho que é realizado
no Parque Estadual dos Três Picos. “O seminário
de hoje é fundamental para o Plano de Manejo do PESET”,
afirmou Alba.
Adriano comentou a percepção da administração
do parque sobre o montanhismo e pediu que seja definida
uma forma de comunicação à administração
do PESET sobre a conquista de novas vias. Bernardo Collares,
presidente da FEMERJ, explicou que em outros parques (por
exemplo, Parque Nacional da Serra dos Órgãos
e Parque Estadual dos Três Picos), o procedimento
para novas conquistas é comunicar o parque e seguir
as diretrizes de mínimo impacto. Se surgir alguma
dúvida, o assunto é levado para a Federação
e para o Conselho Consultivo.
Isso foi reafirmado na palestra de Sergio Poyares, do Núcleo
de Montanhismo do Parque Estadual dos Três Picos (PETP)
e funcionário do IEF. Poyares apresentou o trabalho
realizado pelo órgão no PETP e listou as unidades
de conservação estaduais onde as atividades
de montanhismo são realizadas. “Por isso a
importância deste seminário. Em 2007, realizamos
um no Três Picos e o documento entrou no plano de
manejo do parque. Isto ajuda a administração
dos parques, para garantir as escaladas. É bom para
o montanhismo e para o parque”, concluiu Poyares.
“Este diálogo entre os montanhistas e os gestores
dos parques é uma iniciativa pioneira. Só
agora isto está acontecendo na Espanha, por causa
da constatação sobre a degradação
das trilhas”, destacou Bernardo.
A palestra seguinte, com o tema “Formação
e Evolução das Montanhas do Parque Estadual
da Será da Tiririca”, foi apresentada pelo
geólogo e montanhista Marcelo Ambrósio, que
falou sobre os tipos de solos e sobre os processos erosivos.
Através de fotos, foi mostrada a grande erosão
que atinge a trilha para o Alto Mourão por Itacoatiara,
e que está interditada há mais de dois anos.
Na verdade, isto é um caminho de água e não
uma trilha.
O escalador Luiz Andrade fez a última palestra do
seminário, sobre “O desenvolvimento da escalada
no PESET”. Luiz explicou que o aumento do número
de escaladas e de escaladores em Niterói gerou o
I Encontro Niteroiense de Escalada, realizado em 2006, e
o II Encontro, em 2007. Com eles, foi verificada a necessidade
de realizar este seminário. Luiz mostrou uma proposta
para a setorização das áreas de escalada,
que foi votada.
“A concordância em manter interditada a trilha
do Alto Mourão por Itacoatiara foi uma importante
decisão. No zoneamento das paredes rochosas, houve
uma evolução em relação aos
outros seminários. Neste ficou decidido que se a
parede estiver saturada, mas for visualizada uma linha que
não vá provocar um impacto significante, e/ou
não vá interferir nas vias já existentes,
a proposta será levada ao parque e um Grupo de Trabalho
avaliará estes quesitos”, explicou Bernardo
Collares.
O documento gerado neste I Seminário de Mínimo
Impacto do Montanhismo no PESET ficará na página
da FEMERJ para consulta pública por dois meses e
será anexado ao Plano de Manejo, que deverá
ser licitado neste ano. Também será levado
em consideração o levantamento realizado por
um grupo que estuda a biodiversidade local.
Todo o trabalho apresentado neste encontro foi resultante
de centenas de mensagens eletrônicas trocadas, além
de muitas reuniões e visitas locais. Trabalho voluntário
por amor ao montanhismo, que pode ser vislumbrado nas palavras
de Reinhold Messner, colocadas no folder de apresentação
do seminário: “Os dias que os homens passam
nas montanhas são os dias em que realmente vivem.
Quando as cabeças se limpam das teias de aranhas
e o sangue corre com força nas veias. Quando os cinco
sentidos recobram a vitalidade e o homem, completo, se torna
mais sensível, então já pode ouvir
as vozes da natureza e ver as belezas que só estavam
ao alcance dos mais ousados”.
Assessoria de Imprensa da FEMERJ