Projeto-piloto será iniciado em fevereiro
na Ilha Grande
O Instituto Estadual de Florestas do Rio de Janeiro propôs
ao governo do estado a criação da categoria
de Guarda-Parques para atuar nas unidades de conservação
de proteção integral estaduais, que correspondem
a 15 parques, estações ecológicas e
reservas biológicas, representando 127 mil hectares
de Mata Atlântica e ecossistemas associados preservados.
A FEMERJ enviou ofício ao governador Sérgio
Cabral apoiando a proposta. No dia 20 de dezembro de 2007,
Cabral assinou o decreto que fez o Rio de Janeiro ser o
terceiro estado brasileiro a ter esta importante categoria
profissional, que terá como função
a preservação ambiental.
“Desde a criação do primeiro parque
nacional do mundo, o de Yellowstone, nos Estados Unidos,
em 1872, outras áreas protegidas vêm sendo
estabelecidas naquele país e em todos os demais com
vistas à preservação da fauna e da
flora, das paisagens de notável beleza cênica
e, ainda, para proporcionar lazer saudável e acessível
para amplas parcelas da população. Com o boom
dos esportes de aventura, do turismo de aventura e do turismo
ecológico propriamente dito que observamos nos últimos
anos, tais áreas vêm sendo cada vez mais procuradas,
gerando demandas crescentes de atendimento e segurança
dos visitantes, fiscalização, combate a incêndios
na vegetação e outras tarefas que, no seu
conjunto, visam atingir simultaneamente a dois objetivos:
a preservação dos hábitats de incontáveis
espécies animais e vegetais da forma mais inalterada
possível, garantindo a manutenção da
biodiversidade, e a satisfação dos visitantes
– algo que se reveste de importância estratégica
para a própria existência dos parques, pois
quanto mais pessoas os conhecerem e valorizarem, mais defensores
da preservação ambiental teremos no seio da
população. Em todos estes parques nacionais,
bem como em seus correspondentes estaduais, há uma
figura emblemática, um profissional que responde
pela maioria de suas funções essenciais e
que encarna, para o público visitante e para as populações
do entorno, o próprio espírito que norteou
o estabelecimento destas áreas protegidas: o guarda-parque.”,
assim André Ilha, presidente do Instituto Estadual
de Florestas/RJ, iniciou a sua proposta para a criação
do Corpo de Guarda-Parques no Estado.
No Brasil, esta categoria profissional existe apenas no
estado de Mato Grosso (que regulamentou a atividade) e em
Minas Gerais. Assim, o Rio de Janeiro é a terceira
unidade federativa a criar um serviço de guarda-parques,
que terá como objetivo principal a preservação
da fauna e flora locais. “Eles atuarão nas
atividades de prevenção e combate a incêndios
florestais, busca e salvamento, interpretação
natural, histórica e cultural, e fiscalização
de todas as infrações administrativas observadas,
inclusive desmatamentos, invasões, etc.”, explica
André Ilha.
A Federação de Montanhismo do Estado do Rio
de Janeiro, integrada por freqüentadores assíduos
dos parques estaduais, conhecedora das mazelas decorrentes
da inexistência de um serviço de guarda-parques
permanente e institucionalizado, enviou ofício ao
governador Sérgio Cabral, solicitando “a criação
das equipes de guarda-parques nos Parques Estaduais com
funções de proteção e preservação
das unidades de conservação estaduais, abrangendo
educação ambiental, recepção,
orientação, fiscalização e socorro
dos visitantes”. Entre outros itens, a FEMERJ também
coloca que o tema, “trará benefícios
não apenas para montanhistas, mas também para
os demais visitantes, para a população fluminense
que subsiste do turismo ecológico e, principalmente,
para as gerações futuras que merecem herdar
nossos recursos naturais em boas condições”.
O Serviço de Guarda-Parques será formado
no âmbito dos Grupamentos (I e II) de Socorro Florestal
e Meio Ambiente do Corpo de Bombeiros. O quantitativo inicial
será de 200 homens para todas as unidades hoje existentes.
Em fevereiro, será iniciado um projeto-piloto, com
20 homens, no Parque Estadual da Ilha Grande. A expectativa
do IEF/RJ é de que este serviço esteja funcionando
em todas as unidades estaduais até o final de 2008.
Texto originalmente publicado no informativo Mountain
Voices, de fevereiro de 2008.