Em junho de 2007, o geólogo e montanhista Marcelo
Ambrosio encaminhou à Comissão Brasileira
de Sítios Geológicos e Paleobiológicos
(SIGEP), uma proposta para transformar o conjunto de montanhas
que formam o Maciço dos Três Picos, inseridas
no Parque Estadual dos Três Picos (PETP) em Sítio
Geológico do Brasil, podendo estas se transformarem
em Patrimônio da Humanidade. A Federação
de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro apoiou esta proposta.
A expectativa para o primeiro semestre de 2008 é
a de que o artigo referente à proposta seja finalizado
e publicado na internet, no site do SIGEP.
O decreto de criação do Parque Estadual dos
Três Picos, situado na Região Serrana do Estado,
foi assinado no dia 5 de junho de 2002. Uma notícia
publicada no jornal O Globo, de 27 de maio daquele ano,
anunciava que: “No Dia Mundial do Meio Ambiente e
dez anos depois da Eco-92, o Estado do Rio de Janeiro vai
garantir a preservação da sua principal reserva
de Mata Atlântica, que corresponde a 75% da área
de todos os 12 parques estaduais”. Nesta mesma notícia,
André Ilha, então presidente do IEF/RJ (Instituto
Estadual de Florestas) – cargo que voltou a ocupar
em 2007 – explica que “a região é
uma verdadeira ‘fábrica’ de água,
que abastece muitos municípios da Região Serrana
e do Grande Rio”. Nas matas do PETP é encontrada
a maior quantidade de espécies variadas de animais
e vegetais típicos da Mata Atlântica.
Além da sua importância ambiental, o parque
tem uma beleza cênica que encanta quem o conhece.
E foi percorrendo esta área, quando fazia um levantamento
de campo para a sua monografia, que Marcelo Ambrosio teve
a idéia de criar uma proteção a mais
para o parque: “Quando pensei na proposta, meu único
pensamento era que aquele lugar merecia ser reconhecido
como algum tipo de patrimônio. Na verdade, basta olhar
para aquelas belas montanhas para entender que merecem ser
consideradas como Patrimônio da Humanidade.
Perguntei ao meu orientador sobre a possibilidade de incluir
os Três Picos em algum tipo de monumento natural.
Ele me falou sobre o site do SIGEP, para onde encaminhei
minha proposta. Ela foi aprovada em poucos dias, um período
muito curto de tempo se comparado a outras propostas feitas,
demonstrando que eu não era o único a pensar
dessa forma.”
Na prática, nada muda no Parque Estadual dos Três
Picos. A UNESCO (Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e
a Cultura) tem como um de seus objetivos “promover
a identificação, a proteção
e a preservação do patrimônio cultural
e natural de todo o mundo, considerado especialmente valioso
para a humanidade”. E este faz parte de um tratado
internacional denominado Convenção sobre a
Proteção do Patrimônio Mundial Cultural
e Natural, aprovada em 1972.
Na página http://www.unb.br/ig/sigep/propostas/Tres_Picos_RJ.htm
é possível acompanhar todo o processo, assim
como receber várias informações sobre
a área. É interessante ler, por exemplo, as
justificativas para a aprovação da proposta.
Além de citar a beleza cênica, a importância
dos mananciais e da biodiversidade, uma delas cita a atividade
montanhista naquela área. Diz esta que: “Devido
ao grande desnível das escarpas, da qualidade e volume
de rocha exposta, e das enormes fendas que cortam os maciços,
o conjunto de montanhas do Maciço dos Três
Picos tornou-se uma referência da escalada em grande
paredes do Brasil, com longas vias com até 700 m
de comprimento, sendo também reconhecidas internacionalmente”.
E foi por estar de acordo com todas as justificativas
apresentadas, que a FEMERJ enviou à SIGEP um ofício
de apoio à proposta (que também consta no
site da Comissão). No documento a Federação
ressalta a importância da preservação
do PEPT pela sua formação geológica
e também pela rica biodiversidade que abriga.
André Ilha, que propôs a criação
do parque, e capitaneou todo o processo de sua criação,
afirma que “a eventual decretação do
Parque dos Três Picos como Patrimônio da Humanidade
será uma consagração da sua importância
ambiental, cênica e como provedor de serviços
ambientais para as populações vizinhas.”
Após a publicação do artigo na internet,
ele será avaliado para posteriormente ser ou não
selecionada para fazer parte de um capítulo do 3º
volume do livro SÍTIOS GEOLÓGICOS E PALEONTOLÓGICOS
DO BRASIL, que é editado pelo SIGEP. No entanto,
a publicação na Internet não implica
na publicação em edição em livro
sob a égide da SIGEP, assim como a publicação
em livro não significa a proposta do sítio
como Patrimônio da Humanidade. Vamos ficar na torcida
para que tudo de certo.