Atualizado em: 08/03/2006
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Montanhas do Parque Estadual dos Três Picos podem virar Patrimônio Natural da Humanidade - Proposta feita pelo geólogo e montanhista Marcelo Ambrosio teve apoio da FEMERJ

Em junho de 2007, o geólogo e montanhista Marcelo Ambrosio encaminhou à Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP), uma proposta para transformar o conjunto de montanhas que formam o Maciço dos Três Picos, inseridas no Parque Estadual dos Três Picos (PETP) em Sítio Geológico do Brasil, podendo estas se transformarem em Patrimônio da Humanidade. A Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro apoiou esta proposta. A expectativa para o primeiro semestre de 2008 é a de que o artigo referente à proposta seja finalizado e publicado na internet, no site do SIGEP.

O decreto de criação do Parque Estadual dos Três Picos, situado na Região Serrana do Estado, foi assinado no dia 5 de junho de 2002. Uma notícia publicada no jornal O Globo, de 27 de maio daquele ano, anunciava que: “No Dia Mundial do Meio Ambiente e dez anos depois da Eco-92, o Estado do Rio de Janeiro vai garantir a preservação da sua principal reserva de Mata Atlântica, que corresponde a 75% da área de todos os 12 parques estaduais”. Nesta mesma notícia, André Ilha, então presidente do IEF/RJ (Instituto Estadual de Florestas) – cargo que voltou a ocupar em 2007 – explica que “a região é uma verdadeira ‘fábrica’ de água, que abastece muitos municípios da Região Serrana e do Grande Rio”. Nas matas do PETP é encontrada a maior quantidade de espécies variadas de animais e vegetais típicos da Mata Atlântica.

Além da sua importância ambiental, o parque tem uma beleza cênica que encanta quem o conhece. E foi percorrendo esta área, quando fazia um levantamento de campo para a sua monografia, que Marcelo Ambrosio teve a idéia de criar uma proteção a mais para o parque: “Quando pensei na proposta, meu único pensamento era que aquele lugar merecia ser reconhecido como algum tipo de patrimônio. Na verdade, basta olhar para aquelas belas montanhas para entender que merecem ser consideradas como Patrimônio da Humanidade.
Perguntei ao meu orientador sobre a possibilidade de incluir os Três Picos em algum tipo de monumento natural. Ele me falou sobre o site do SIGEP, para onde encaminhei minha proposta. Ela foi aprovada em poucos dias, um período muito curto de tempo se comparado a outras propostas feitas, demonstrando que eu não era o único a pensar dessa forma.”

Na prática, nada muda no Parque Estadual dos Três Picos. A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) tem como um de seus objetivos “promover a identificação, a proteção e a preservação do patrimônio cultural e natural de todo o mundo, considerado especialmente valioso para a humanidade”. E este faz parte de um tratado internacional denominado Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural, aprovada em 1972.

Na página http://www.unb.br/ig/sigep/propostas/Tres_Picos_RJ.htm é possível acompanhar todo o processo, assim como receber várias informações sobre a área. É interessante ler, por exemplo, as justificativas para a aprovação da proposta. Além de citar a beleza cênica, a importância dos mananciais e da biodiversidade, uma delas cita a atividade montanhista naquela área. Diz esta que: “Devido ao grande desnível das escarpas, da qualidade e volume de rocha exposta, e das enormes fendas que cortam os maciços, o conjunto de montanhas do Maciço dos Três Picos tornou-se uma referência da escalada em grande paredes do Brasil, com longas vias com até 700 m de comprimento, sendo também reconhecidas internacionalmente”.

E foi por estar de acordo com todas as justificativas apresentadas, que a FEMERJ enviou à SIGEP um ofício de apoio à proposta (que também consta no site da Comissão). No documento a Federação ressalta a importância da preservação do PEPT pela sua formação geológica e também pela rica biodiversidade que abriga.

André Ilha, que propôs a criação do parque, e capitaneou todo o processo de sua criação, afirma que “a eventual decretação do Parque dos Três Picos como Patrimônio da Humanidade será uma consagração da sua importância ambiental, cênica e como provedor de serviços ambientais para as populações vizinhas.”

Após a publicação do artigo na internet, ele será avaliado para posteriormente ser ou não selecionada para fazer parte de um capítulo do 3º volume do livro SÍTIOS GEOLÓGICOS E PALEONTOLÓGICOS DO BRASIL, que é editado pelo SIGEP. No entanto, a publicação na Internet não implica na publicação em edição em livro sob a égide da SIGEP, assim como a publicação em livro não significa a proposta do sítio como Patrimônio da Humanidade. Vamos ficar na torcida para que tudo de certo.

 

 



 

 

     
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