Atualizado em: 08/03/2006
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CBME oficializa Sistema de Graduação Brasileiro

 

Adoção de um grau específico de exposição é uma inovação

A Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME) aprovou em sua Assembléia Geral Extraordinária, ocorrida no dia 25 de agosto, a adoção do Sistema Brasileiro de Graduação de Vias de Escalada, que foi proposto pela FEMERJ. Assim, fica unificada a nomenclatura e a sistemática de graduação de vias de escalada em rocha em todo o território nacional, o que era o objetivo da CBME.

Este sistema foi proposto pelo Fórum Interclubes em 1999, devido às diferentes linguagens que eram usadas para expressar os graus de dificuldades das vias de escalada entre escaladores no Brasil. Mesmo no Rio de Janeiro, onde o sistema de graduação foi concebido, os três guias de escaladas publicados na década de 90 (Catálogo de Escaladas do Estado do Rio de Janeiro, 1984, de André Ilha e Lúcia Duarte, e Guia de Escaladas de Guaratiba, 1999, de André Ilha; Guia de Escaladas da Urca, 1996, de Flávio Daflon e Delson de Queiroz; e Guia de Salinas, 1998, de Alexandre Portela, Sérgio Tartari e Isabela De Paoli), traziam diferenças na forma de utilizá-lo. Então, em 1999, foram realizados três seminários para debater este assunto. Nos dois últimos, realizados nos dias 5 de outubro e 14 de dezembro de 1999, foi concluída uma nova proposta para o sistema de graduação brasileiro.

No texto do Sistema Brasileiro de Graduação de Vias de Escalada é explicada que a vantagem deste é a “menção dos graus geral e do lance mais difícil da via em separado”, o que difere dos sistemas americano e francês, nos quais o grau de escalada é o grau de seu lance mais difícil. O sistema brasileiro também propõe algumas inovações, como por exemplo, a adoção de um grau específico de exposição.

Segundo Silverio Nery, presidente da CBME, o trabalho realizado pela FEMERJ foi “fundamental na uniformização e ajuste de conceitos, permitindo maior consistência e objetividade na graduação das vias”. Silverio explica que o Sistema Brasileiro de Graduação é reconhecido internacionalmente há muitos anos, fazendo parte, inclusive, da tabela comparativa publicada na bíblia do montanhismo, que é o livro “Mountaineering – The Freedom of the Hills”, da editora Mountaineers, de Seattle, Estados Unidos. “Esperamos que a adoção do Sistema pela CBME sirva para estabelecê-lo de forma definitiva entre os montanhistas do país, orientando a graduação de novas vias de escalada e indicando aos demais atores da sociedade o nível de maturidade a que chegou o Montanhismo Brasileiro”, conclui Silverio.

O texto completo do Sistema Brasileiro de Graduação de Vias de Escalada pode ser encontrado na página da FEMERJ na internet (www.femerj.org).

É interessante conhecer um pouco da história da classificação de vias de escalada no Brasil. A escalada em rocha no país começou a ser praticada de maneira mais ampla a partir da década de 30, e nessa época as dificuldades das vias eram classificadas da mesma maneira que eram as caminhadas, ou seja, leve, média e pesada. Na década de 40, alguns escaladores começaram a utilizar um sistema de graduação específico para escaladas, que provavelmente foi inspirado no sistema alpino. Neste sistema existia apenas um algarismo, que determinava a dificuldade geral da via. Dois dos precursores deste sistema foram Silvio Mendes, do Centro Excursionista Rio de Janeiro (CERJ), e Almy Ulisséa, do Centro Excursionista Brasileiro (CEB).

As tentativas iniciais de organização de um sistema de graduação de vias viriam a ocorrer a partir da década de 50. Durante o Encontro de Clubes Excursionistas, realizado em 1956 e dirigido por Ricardo Menescal e Manoel Lordeiro, foram listadas algumas escaladas conquistadas e seus graus de dificuldades. Assim, foi criado um padrão de referência para a classificação de outras vias. Na década seguinte surgiu uma nova maneira de se graduar as vias, resultante da união do sistema alpino tradicional com a experiência dos escaladores brasileiros. Em 1974, a antiga Federação Carioca de Montanhismo (FCM), oficializou este sistema, no qual foi introduzida a subdivisão “sup” na graduação. No ano seguinte, a FCM se transformou na FMERJ (Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro) e publicou uma relação das conquistas existentes e seus graus de dificuldades, inaugurando assim o novo sistema.

Assessoria de Comunicação da FEMERJ
Texto publicado na revista Mountain Voices, edição de outubro de 2007.

 

 

     
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