Adoção de um grau específico
de exposição é uma inovação
A Confederação Brasileira de Montanhismo
e Escalada (CBME) aprovou em sua Assembléia Geral
Extraordinária, ocorrida no dia 25 de agosto, a adoção
do Sistema Brasileiro de Graduação de Vias
de Escalada, que foi proposto pela FEMERJ. Assim, fica unificada
a nomenclatura e a sistemática de graduação
de vias de escalada em rocha em todo o território
nacional, o que era o objetivo da CBME.
Este sistema foi proposto pelo Fórum Interclubes
em 1999, devido às diferentes linguagens que eram
usadas para expressar os graus de dificuldades das vias
de escalada entre escaladores no Brasil. Mesmo no Rio de
Janeiro, onde o sistema de graduação foi concebido,
os três guias de escaladas publicados na década
de 90 (Catálogo de Escaladas do Estado do Rio de
Janeiro, 1984, de André Ilha e Lúcia Duarte,
e Guia de Escaladas de Guaratiba, 1999, de André
Ilha; Guia de Escaladas da Urca, 1996, de Flávio
Daflon e Delson de Queiroz; e Guia de Salinas, 1998, de
Alexandre Portela, Sérgio Tartari e Isabela De Paoli),
traziam diferenças na forma de utilizá-lo.
Então, em 1999, foram realizados três seminários
para debater este assunto. Nos dois últimos, realizados
nos dias 5 de outubro e 14 de dezembro de 1999, foi concluída
uma nova proposta para o sistema de graduação
brasileiro.
No texto do Sistema Brasileiro de Graduação
de Vias de Escalada é explicada que a vantagem deste
é a “menção dos graus geral e
do lance mais difícil da via em separado”,
o que difere dos sistemas americano e francês, nos
quais o grau de escalada é o grau de seu lance mais
difícil. O sistema brasileiro também propõe
algumas inovações, como por exemplo, a adoção
de um grau específico de exposição.
Segundo Silverio Nery, presidente da CBME, o trabalho realizado
pela FEMERJ foi “fundamental na uniformização
e ajuste de conceitos, permitindo maior consistência
e objetividade na graduação das vias”.
Silverio explica que o Sistema Brasileiro de Graduação
é reconhecido internacionalmente há muitos
anos, fazendo parte, inclusive, da tabela comparativa publicada
na bíblia do montanhismo, que é o livro “Mountaineering
– The Freedom of the Hills”, da editora Mountaineers,
de Seattle, Estados Unidos. “Esperamos que a adoção
do Sistema pela CBME sirva para estabelecê-lo de forma
definitiva entre os montanhistas do país, orientando
a graduação de novas vias de escalada e indicando
aos demais atores da sociedade o nível de maturidade
a que chegou o Montanhismo Brasileiro”, conclui Silverio.
O texto completo do Sistema Brasileiro de Graduação
de Vias de Escalada pode ser encontrado na página
da FEMERJ na internet (www.femerj.org).
É interessante conhecer um pouco da história
da classificação de vias de escalada no Brasil.
A escalada em rocha no país começou a ser
praticada de maneira mais ampla a partir da década
de 30, e nessa época as dificuldades das vias eram
classificadas da mesma maneira que eram as caminhadas, ou
seja, leve, média e pesada. Na década de 40,
alguns escaladores começaram a utilizar um sistema
de graduação específico para escaladas,
que provavelmente foi inspirado no sistema alpino. Neste
sistema existia apenas um algarismo, que determinava a dificuldade
geral da via. Dois dos precursores deste sistema foram Silvio
Mendes, do Centro Excursionista Rio de Janeiro (CERJ), e
Almy Ulisséa, do Centro Excursionista Brasileiro
(CEB).
As tentativas iniciais de organização de
um sistema de graduação de vias viriam a ocorrer
a partir da década de 50. Durante o Encontro de Clubes
Excursionistas, realizado em 1956 e dirigido por Ricardo
Menescal e Manoel Lordeiro, foram listadas algumas escaladas
conquistadas e seus graus de dificuldades. Assim, foi criado
um padrão de referência para a classificação
de outras vias. Na década seguinte surgiu uma nova
maneira de se graduar as vias, resultante da união
do sistema alpino tradicional com a experiência dos
escaladores brasileiros. Em 1974, a antiga Federação
Carioca de Montanhismo (FCM), oficializou este sistema,
no qual foi introduzida a subdivisão “sup”
na graduação. No ano seguinte, a FCM se transformou
na FMERJ (Federação de Montanhismo do Estado
do Rio de Janeiro) e publicou uma relação
das conquistas existentes e seus graus de dificuldades,
inaugurando assim o novo sistema.
Assessoria de Comunicação
da FEMERJ
Texto publicado na revista Mountain Voices, edição
de outubro de 2007.